Para que servem os 11 aditivos mais comuns na comida do brasileiro

19/12/2021
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Uma pesquisa mostrou que quatro em cada cinco alimentos vendidos nos supermercados brasileiros têm aditivos.

O levantamento feito pela nutricionista Vanessa Montera, inédito nessa escala no Brasil, apontou que quase 80% dos mais de 9,8 mil produtos analisados tinham ao menos um aditivo – e um quarto tinham seis ou mais.

São chamadas assim as substâncias naturais ou sintéticas adicionadas a um alimento sem o propósito de nutrir.

Em muitos casos, os aditivos são bem úteis. Eles são usados pela indústria, por exemplo, para fazer com que as comidas durem mais tempo, cheguem a mais pessoas, sejam mais baratas.

Mas outros servem para mudar características que seriam difíceis de engolir. Isso porque os processos industriais pelos quais alguns alimentos passam podem mudar seu cheiro, sabor ou textura e deixá-los irreconhecíveis.

As fabricantes recorrem, então, aos chamados aditivos cosméticos, para que uma comida corresponda minimamente ao que a gente espera dela.

Sua presença em um alimento é um sinal de que ele pode ser ultraprocessado — e cada vez mais pesquisas associam esse tipo de comida a doenças.

A ciência ainda não chegou a uma conclusão sobre o efeito dos aditivos sobre a saúde.

Diversos pesquisadores dizem que estudos ligam os aditivos a transtornos mentais, alergias, obesidade e câncer e pedem mais cautela à indústria de alimentos.

Os fabricantes e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária, que regula esse mercado, respondem que as evidências são fracas. Eles defendem que os aditivos podem ser usados em níveis seguros que seguem os padrões internacionais.

A principal sugestão dos especialistas por enquanto é ficar de olho nos rótulos, ler a lista de ingredientes e evitar os ultraprocessados – e se tiver muitos aditivos na lista, é um sinal de que o alimento pode ser ultraprocessado.

Mas quais são os mais comuns? E para que eles servem?

Aromatizantes
Em quantos produtos foram encontrados? 47,1%

O que fazem? Conferem ou intensificam o cheiro e/ou sabor de um alimento.

São um aditivo cosmético? Sim.

Exemplos: há os naturais, obtidos de produtos de origem animal ou vegetal (como óleos essenciais, extratos, bálsamos, entre outros), e os sintéticos, ou seja, são substâncias químicas produzidas em laboratório, que podem ser classificadas como idênticas às naturais (quando têm uma estrutura química igual à da matéria-prima natural) ou artificiais.

Produtos em que são usados: balas, caramelos e similares, biscoitos e similares, concentrados para refrigerante, cereais matinais e barra de cereais, comidas pré-preparadas, sorvetes, iogurtes e leites aromatizados, refrescos, néctares, bebidas de fruta saborizadas, sopas e caldos concentrados.

Conservadores
Em quantos produtos foram encontrados? 28,9%

O que fazem? Prolongam vida útil do alimento ao combater a multiplicação de micro-organismos, como bactérias e fungos, que podem fazer com que a comida estrague.

São um aditivo cosmético? Não.

Exemplos: benzoates, ácido cítrico, nitratos e nitritos, parabenos, salicilatos, ácido sórbico, sulfitos, propionato de cálcio, sódio e potássio.

Produtos em que são usados: comidas pré-preparadas, carnes processadas, pães, bolos e outros itens de panificação, aperitivos, doces em pasta, leite de coco pasteurizado, coco ralado, chocolates, frutas desidratadas, bebidas de fruta saborizadas, margarina, néctares e sucos de fruta, maionese, queijos, refrigerantes, hortaliças em conserva.

Corantes
Em quantos produtos foram encontrados? 27,8%

O que fazem? Conferem, intensificam ou restauram a cor de um alimento.

São um aditivo cosmético? Sim.

Exemplos: há os naturais (como urucum, açafrão e clorofila), os sintéticos idênticos aos naturais (como beta caroteno, riboflavina e luteína), e os artificiais (como azul brilhante, amarelo-crepúsculo, vermelho ponceau e caramelo).

Produtos em que são usados: balas, caramelos e similares, alimentos processados à base de cereais, coberturas e xaropes para sorvetes, sorvetes, geleias, iogurtes e leites aromatizados, margarinas, néctares de fruta, óleos vegetais, proteína texturizada de soja, queijos, refrescos e refrigerantes, sucos, biscoitos e similares, carnes processadas.

BBC

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