Como seu nome pode afetar sua personalidade

11/07/2021
LISA KLING/GETTY IMAGES
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Você já pode ter refletido sobre as diferentes maneiras como foi sua criação: se seus pais foram acolhedores ou rigorosos, generosos ou agressivos.

Mas talvez você não tenha pensado muito sobre as consequências de algo particularmente importante que eles deram a você — seu nome.

Os pais muitas vezes ficam angustiados na hora de escolher o nome dos filhos.

Pode parecer um teste de criatividade ou uma forma de expressar suas próprias personalidades ou identidades por meio da criança.

Mas o que muitos pais podem não perceber completamente — eu, certamente, não percebi — é que a escolha do nome pode influenciar a forma como os outros veem seu filho e, portanto, em última análise, o tipo de pessoa na qual seu filho se torna.

“Como um nome é usado para identificar um indivíduo e se comunicar com ele diariamente, serve como base da autoconcepção de alguém, especialmente em relação aos outros”, diz David Zhu, professor de Administração e Empreendedorismo na Universidade do Arizona, nos EUA, que pesquisa a psicologia dos nomes.

É claro que vários fatores moldam nossa personalidade. Parte dela é influenciada por nossos genes. As experiências formativas também desempenham um papel importante, assim como as pessoas com quem nos relacionamos e, em última análise, os papéis que assumimos na vida, seja no trabalho ou na família.

Em meio a todas essas dinâmicas, é fácil esquecer o papel desempenhado por nossos nomes — uma influência altamente pessoal imposta a nós desde o nascimento e que geralmente permanece conosco por toda a vida (a menos que nos demos ao trabalho de mudá-lo).

Como Gordon Allport, um dos fundadores da psicologia da personalidade, afirmou em 1961, “o ponto de ancoragem mais importante para nossa identidade pessoal ao longo da vida continua sendo nosso próprio nome”.

Em um nível básico, nossos nomes podem revelar detalhes sobre nossa etnia ou outros aspectos de nossa origem, o que em um mundo de preconceitos sociais traz consequências inevitáveis.

Por exemplo, uma pesquisa americana conduzida na sequência dos ataques terroristas de 11 de setembro mostrou que currículos exatamente iguais eram menos propensos a conseguir entrevistas de emprego quando atribuídos a uma pessoa com um nome que soava árabe, em comparação com um nome “branco”.

Isso é injusto em vários níveis, principalmente porque os nomes podem ser um indicador não confiável de nossa origem.

Essas consequências não devem ser menosprezadas, mas não é aí que termina a influência dos nomes.

Mesmo dentro de uma só cultura, os nomes podem ser comuns ou raros, podem ter certas conotações positivas ou negativas em termos de significado e podem ser vistos como atraentes ou antiquados e detestados (e essas opiniões podem mudar com o passar do tempo de acordo com as tendências também).

Por sua vez, essas características relacionadas aos nossos nomes afetam inevitavelmente a maneira como os outros nos tratam e como nos sentimos a respeito de nós mesmos.

Em um desdobramento mais recente, pais de crianças chamadas Alexa vêm protestando contra a Amazon alegando que suas filhas estão sofrendo bullying por ter o mesmo nome que a gigante de tecnologia usa para sua assistente virtual. Como resultado, o nome tem caído em desuso.

Já um estudo da década de 2000, liderado pela psicóloga americana Jean Twenge, descobriu que, mesmo depois de feito o controle sobre fatores como contexto familiar e insatisfação geral com a vida, as pessoas que não gostavam do nome tendiam a ter um ajuste psicológico mais precário.

Provavelmente, isso aconteceu porque sua falta de confiança e autoestima fizeram com que não gostassem do nome ou porque o fato de não gostar do nome contribuiu para sua falta de confiança — “o nome se torna um símbolo de si mesmo”, escreveram Twenge e sua coautora.

Em termos de como os nomes afetam a maneira como somos tratados pelos outros, vejamos um estudo alemão publicado em 2011, no qual os usuários de um site de relacionamento foram questionados se gostariam de dar sequência a potenciais encontros com base no nome das pessoas.

Jochen Gebauer, agora baseado na Universidade de Mannheim, na Alemanha, e seus colegas, incluindo Wiebke Neberich, descobriram que pessoas com nomes considerados antiquados na época (como Kevin) tinham maior probabilidade de serem rejeitadas, em comparação com aquelas com nomes da moda (como Alexander).

Se a situação do site de relacionamento for amplamente representativa de como esses indivíduos foram tratados ao longo da vida, é fácil ver como seus nomes podem ter moldado a forma como os outros os tratavam de maneira mais geral e, por sua vez, o tipo de pessoa na qual eles próprios se tornaram.

BBC

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