O que buscam os computadores que agora selecionam currículos

05/06/2021
GETTY IMAGES
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Quando soube que minha candidatura a uma vaga de emprego estava sendo avaliada por um computador e não por um ser humano, fiquei um pouco estressada.

Sou jornalista e tinha acabado de me candidatar a um novo emprego. Durante a primeira parte do processo seletivo, fui convidada a jogar vários jogos online simples, no conforto da minha própria casa.

Os jogos incluíam contar rapidamente o número de pontos em duas caixas, inflar um balão antes que explodisse para ganhar dinheiro e vincular emoções a expressões faciais. Em seguida, um sistema de software de inteligência artificial avaliou minha personalidade e decidiu se me aprovaria ou rejeitaria.

Não havia a supervisão de nenhum ser humano.

E eu me perguntei: é justo um computador por si só aceitar ou rejeitar candidatos a uma vaga de emprego?

Bem-vindos ao mundo em rápida expansão do recrutamento com inteligência artificial.

Do McDonald’s ao JP Morgan

Os recrutadores têm usado inteligência artificial na última década, mas essa tecnologia foi bastante aperfeiçoada nos últimos anos.

A demanda aumentou drasticamente desde a pandemia, graças à sua conveniência e resultados rápidos em um momento em que a equipe pode não estar disponível devido à covid-19.

O software de inteligência artificial que me testou para a vaga foi fornecido por uma empresa sediada em Nova York, nos Estados Unidos, chamada Pymetrics.

As perguntas e respostas foram elaboradas para avaliar vários aspectos da personalidade e inteligência de um candidato, assim como sua tolerância ao risco e a rapidez com que responde a diferentes situações.

Ou, como diz a Pymetrics, “para medir de forma justa e precisa os atributos cognitivos e emocionais, em apenas 25 minutos.”

Seu software de inteligência artificial agora é usado na etapa inicial de processos seletivos de várias multinacionais, incluindo McDonald’s, o banco JP Morgan, a empresa de auditoria e consultoria PWC e o grupo de alimentos Kraft Heinz. Se você passar, segue para uma entrevista com um recrutador humano.

“Trata-se de ajudar as empresas a processar um grupo muito maior (de candidatos) e obter sinais de que alguém terá sucesso em um trabalho”, diz Frida Polli, fundadora da Pymetrics.

“Todo mundo quer o emprego certo e quer contratar a pessoa certa. Usar esses sistemas de inteligência artificial de forma inteligente é uma vantagem para todos”.

Outro fornecedor de software de recrutamento com base em inteligência artificial é a HireVue, com sede em Utah, nos EUA. Seu sistema de inteligência artificial grava vídeos de candidatos respondendo a perguntas de entrevistas por meio da webcam e do microfone de um laptop.

Essa gravação é então convertida em texto, e um algoritmo de inteligência artificial o analisa em busca de palavras-chave, como usar “eu” em vez de “nós” em respostas a perguntas sobre trabalho em equipe.

A empresa de recrutamento pode então optar por permitir que o sistema HireVue rejeite candidatos sem uma dupla verificação humana ou fazer com que o candidato avance no processo seletivo para uma entrevista por vídeo com um recrutador real.

A HireVue conta que até setembro de 2019 havia realizado um total de 12 milhões de entrevistas, das quais 20% foram por meio do software de inteligência artificial. As 80% restantes foram realizadas com um entrevistador humano do outro lado da tela de vídeo.

Este número agora aumentou para 19 milhões de entrevistas, com a mesma divisão percentual.

A empresa começou a oferecer entrevistas de inteligência artificial em 2016. Entre seus usuários, estão a desenvolvedora de chips de computador ARM e a empresa de serviços de viagem Sabre.

Um relatório de 2019 afirma que o crescimento do uso de inteligência artificial é tamanho que substituirá 16% dos empregos no setor de recrutamento até 2029.

BBC

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