Como a inteligência artificial faz você comprar coisas, mesmo sem precisar

12/11/2020
GETTY IMAGES
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As listas de compras que rabiscávamos no verso de um envelope já são cada vez mais conhecidas pelos supermercados que frequentamos.

Em primeiro lugar, através dos cartões de fidelidade que digitalizamos nas caixas e, cada vez mais, por nossos carrinhos de compras online, os nossos hábitos de compra deixaram de ser um segredo.

Mas agora mais varejistas estão usando IA (inteligência artificial) — sistemas de software que podem aprender por si mesmos — para tentar prever e encorajar automaticamente nossas preferências e compras como nunca antes.

O consultor de varejo Daniel Burke, da Blick Rothenberg, chama isso de “o cálice sagrado (…) para se construir um perfil de clientes e sugerir um produto antes que eles percebam que é o que queriam”.

Portanto, da próxima vez que você entrar em sua loja local para comprar certas comidas e um determinado vinho em uma noite de sexta-feira, talvez você possa culpar pela sua própria decisão a IA e um computador que aprendeu tudo sobre você.

Will Broome é o fundador da Ubamarket, uma empresa do Reino Unido que desenvolve um aplicativo de compras que permite às pessoas pagar por itens por meio de seus telefones, fazer listas e escanear produtos em busca de ingredientes e alérgenos.

“Nosso sistema de IA rastreia os padrões de comportamento das pessoas em vez de suas compras, e quanto mais você compra, mais a IA sabe sobre os tipos de produtos que você gosta”, diz ele.

“O módulo de IA foi projetado não apenas para fazer as coisas óbvias, mas ele aprende na medida em que é usado e passa a se tornar premonitório. Ele pode começar a construir um cenário de quão provável é você experimentar uma marca diferente ou comprar chocolate em um sábado.”

E pode oferecer o que ele chama de “ofertas hiperpersonalizadas”, como vinho mais barato em uma noite de sexta-feira.

O Ubamarket não vinha conseguindo convencer os maiores supermercados do Reino Unido a adotar o aplicativo, então, em vez disso, fez acordos com cadeias de lojas de conveniência menores no Reino Unido, incluindo Spar, Co-op e Budgens, que não são tradicionalmente adeptas da alta tecnologia.

A aceitação do aplicativo continua baixa, mas está crescendo, em parte graças à pandemia de coronavírus, que tornou as pessoas mais relutantes em tocar em caixas registradoras ou em filas.

“Com o aplicativo, descobrimos que o conteúdo médio de uma cesta sobe 20% e as pessoas com o aplicativo têm três vezes mais chances de voltar a fazer compras naquela loja”, diz Broome.

BBC

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