Análise | No futebol pós-Coronavírus, o Brasileirão precisa ter o mesmo tamanho

30/03/2020
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Entre as consequências no futebol brasileiro devido ao tempo parado, como parte do combate ao Coronavírus, uma delas seria a possível mudança no regulamento do Campeonato Brasileiro de 2020. Sendo mais preciso: a redução no tamanho da competição, cujo formato, por pontos corridos, é o mesmo desde 2006.

Numa entrevista ao canal SporTV, o secretário-geral da CBF, Walter Feldman, falou sobre a possibilidade de conselhos arbitrais extraordinários para debater possíveis mudanças no campeonato. Embora não tenha especificado a competição, a perguntava se referia, implicitamente, à Série A. De fato, a medida precisa ser estudada em relação à crise, com planos abordando vários níveis de gravidade sobre a paralisação, tanto em termos de calendário (já achatado) quanto em termos econômicos (possivelmente com vários clubes em colapso).

Cabe à confederação se antecipar, desde já, aos possíveis cenários. Dito isso, este texto trata do cenário no qual o Campeonato Brasileiro é inteiramente preservado. Na minha opinião, mesmo que a bola fique sem rolar por alguns meses, inviabilizando todas as disputas simultâneas (Estaduais, Nordestâo, Brasileiro, Copa do Brasil e copas internacionais), é necessário que a maior competição, aquela que realmente estrutura o futebol nacional, siga seu o curso normal. Me refiro às quatro divisões, mas, sobretudo, às Séries A, B e C, que envolvem 60 clubes, entre eles os mais tradicionais (e de massa), e o grosso do investimento da tevê. Somente na primeira divisão a previsão de receita é de aproximadamente R$ 2 bilhões – incluindo TV aberta na Globo, TV fechada (SporTV e Esporte Interativo) e pay-per-view (no Premiere, que já vem sofrendo com a redução de assinaturas).

Esse dinheiro existe num acordo para a exibição das 380 partidas previstas. Qualquer “ajuste para baixo” neste caso, com turno único (190 jogos, ou -50%) ou turno seguido de mata-mata (204 jogos, considerando o chaveamento a partir das quartas de final, em ida e volta), significaria uma redução considerável na verba, justamente num momento de crise financeira aguda, após meses sem receita. A volta do futebol (todos nós torcemos por isso) precisa ocorrer com o principal catalizador em potência máxima. O mesmo vale para a Série B, ma qual a cota entre R$ 6 milhões e R$ 8 milhões por clube é essencial para o orçamento dos participantes em toda a temporada.

Na C, mesmo sem cota fixa aos competidores, o acordo de transmissão garante o pagamento das viagens, hospedagens e taxas de arbitragem ao longo do torneio. Comprometer isso seria comprometer a própria participação. Neste momento, exceção feita a pouquíssimos Estaduais, como o Paulistão, nenhuma competição local consegue se bancar para justificar uma queda de braço com o Brasileirão – isso seria a mais pura e rasa política das federações, que tendem bater de frente. Ainda que o campeonato nacional termine somente em 2021, é preciso que o “ajuste” passe pela sua realização, independentemente do período, e não numa visão de encerramento curto, de encaixe.

Do Nordeste, 16 clubes estão espalhados nas três principais séries (4 na A, 6 na B e 6 na C), com a Copa do Nordeste no meio desta confusão toda. É muito difícil acreditar que o nacional e o regional sejam preteridos em prol da disputa local. Até mesmo a Lampions, em caso de prolongamento da crise, seria afetada, com jogos espremidos no Brasileiro – mas ainda possível, até porque todos os clubes envolvidos estão no Campeonato Brasileiro. Transformar o campeonato nacional de futebol numa temporada “2020/2021”, como na Europa, é o de menos neste momento – pode até seguir como “2020” mesmo terminando em 2021, pois não seria algo inédito (ocorreu em 86, 87 e 88, por exemplo). O que importa, mesmo, é erradicar a possibilidade – mesmo no zum-zum-zum – de reduzir a competição principal. Sobretudo se o motivo for o mais arcaico possível, para o encaixe dos Estaduais. E você, o que acha?

Obs. O texto trata apenas do viés futebolístico, mas, falando com a maior obviedade possível, o mais importante é que o país (e o mundo) consiga atravessar essa crise de saúde pública.

Os 20 times da Série A
Athletico (PR), Atlético (GO), Atlético (MG), Bahia (BA), Botafogo (RJ), Ceará (CE), Corinthians (SP), Coritiba (PR), Flamengo (RJ), Fluminense (RJ), Fortaleza (CE), Goiás (GO), Grêmio (RS), Internacional (RS), Palmeiras (SP), Red Bull Bragantino (SP), Santos (SP), São Paulo (SP), Sport (PE) e Vasco (RJ).

Os 20 times da Série B
América (MG), Avaí (SC), Botafogo (SP), Brasil (RS), Chapecoense (SC), Confiança (SE), CRB (AL), Cruzeiro (MG), CSA (AL), Cuiabá (MT), Figueirense (SC), Guarani (SP), Juventude (RS), Náutico (PE), Oeste (SP), Operário (PR), Paraná (PR), Ponte Preta (SP), Sampaio Corrêa (MA) e Vitória (BA).

Os 20 times da Série C
Boa Esporte (MG), Botafogo (PB), Brusque (SC), Criciúma (SC), Ferroviário (CE), Imperatriz (MA), Ituano (SP), Jacuipense (BA), Londrina (PR), Manaus (AM), Paysandu (PA), Remo (PA), Santa Cruz (PE), São Bento (SP), São José (RS), Tombense (MG), Treze (PB), Vila Nova (GO), Volta Redonda (RJ) e Ypiranga (RS).

Cassio Zirpoli

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